Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Fugi pra lugar nenhum

Pois é, para onde nem eu sei, amiga. Já não é a primeira vez que digo que tenho feito uma mega terapia aqui no Rio Grande do Sul. E hoje me surpreendi com uma declaração que ouvi de mim mesma. Depois de uma semana de muito trabalho, chuva e frio, resolvi fazer hora extra debaixo das cobertas e ligar a TV. Aí, num desses programas matinais padronizados, um neurolinguista estava falando sobre medo com explicações contundentes e, da minha parte, verdadeiras.
A apresentadora perguntou para nós telespectadoras pacientes: "do que você tem medo?" Na hora, poderiam ter vindo flashes sobre meu medo de altura, violência e baratas. Mas recebi esta resposta curta e grossa do meu departamento de pesquisas: MEDO DE AMAR. Fiquei chocada.

Me vi como nestas cenas de novela, em que o personagem perde o chão ao descobrir uma grande verdade inesperada. Por que fiz isso comigo?

O especialista disse que o mesmo esforço que fazemos para sentir o medo pode ser o mesmo caminho para criar coragem, basta regular os pensamentos. E o tal medo vem depois de situações em que se desenvolve o estresse pós-traumático e, entre outros reflexos, o distanciamento. É assim que me vejo hoje.

Bom, fazendo um intensivão terapêutico, logo me lembrei da sensação que tive quando meu primeiro namorado pediu um tempo e depois de uma longa e sofrida semana terminou tudo. O desgaste emocional que senti me fez pensar que preferiria não sair por aí me apaixonando para não passar por isso de novo. Nunca mais quero passar por isso. Assim, todos os outros casinhos que tive não foram tão significativos e todos eles têm uma linha condutora. hora eu não acredito muito ou se acredito tenho medo de seguir em frente e me machucar.

Até outro dia falava com amigos meus sobre algo que ainda faltaria eu passar por aqui. Talvez libertaria esse medo se me jogasse e me aventurasse de fato por alguém, até ciente de que teria um fim. Mas que aproveitasse. A grosso modo seria como criar um cachorro. São anos de alegria e festa quando a gente chega estressado em casa e o tem para se distrair, mas quando eles morrem ficamos tristes. Claro que os bons anos valeram a pena.

Mas como ainda não estou com o visor mágico para encontrar o carinha que poderia ser o objeto da minha aventura, a reflexão foi ainda além. O último com quem fiquei aqui foi interessante e tenei não me envolver até certo ponto. Um dia então cheguei para ele disse que gostava dele, tinha vontade de me apaixonar por ele mas tinha medo. Diversos medos que poderiam vir no pacote. Depois nos falamos algumas vezes, mas a busca frenética dele para encontrar uma namorada foi tanta que... ele encontrou. E não era eu. Caso encerrado e derrota de 1x0.

Já a questão do distanciamento, me dei conta dele há poucos dias. Me relaciono bem com as pessoas, mas não me aproximo tanto não sei porque. Hoje descobri. Mérito ao programa matinal, que tantas vezes julguei como entediante. Isso me fez concluir o quebra-cabeça. É, eu fugi como louca, mas sem destino. Obviamente não farei o caminho de volta, vou traçar um novo e tentar errar menos. Bem menos.